Folha de S. Paulo, 05/02/2011
Professor obeso garante na Justiça vaga na rede estadual
Reprovado em concurso, docente diz ter ouvido do médico o motivo: seu peso
Após liminar, ele vem atuando em escola da Grande SP desde 2009; governo diz que cumpre decisão do Judiciário
CRISTIANE GERCINA
DO "AGORA"
Um professor de 36 anos reprovado em concurso estadual de 2007 conseguiu uma liminar (decisão provisória) na Justiça e, desde junho de 2009, atua na rede em uma escola da Grande São Paulo. Ele tem 150 kg e 1,87 m.
Nesta semana, a Folha publicou queixas de sete docentes -três obesos mórbidos- que dizem ter sido reprovados em seleção do Estado por serem considerados obesos.
A perícia médica usou o cálculo do IMC (Índice de Massa Corpórea), utilizado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), para definir a sua obesidade mórbida.
O professor, que atua na área de humanas, não quis se identificar à reportagem por estar na rede. Também diz que tem medo de retaliações.
Ele afirma que, depois de ter prestado um concurso em 2007, foi convocado para escolher aulas como professor efetivo para o ano letivo de 2009.
"Já atuava em sala de aula como temporário do Estado, desde 2004", afirma. "Nunca fui considerado inapto."
Após ser reprovado no exame para efetivo, em 2009, o docente pediu reavaliação ao DPME (Departamento Médico de Perícias do Estado de São Paulo).
Na segunda consulta, também foi considerado inapto e, segundo ele, ouviu do médico o motivo: seu peso. Ele, então, entrou com a ação por meio da Apeoesp (sindicado de professores do Estado).
Como a decisão é provisória, ele aguarda o julgamento final. A Secretaria de Estado da Gestão afirma que cumprirá a decisão do Judiciário.
Em 2009, o Ministério Público abriu investigação sobre professores obesos que dizem ter sido barrados pelo Estado.
Na ação, consta documento da secretaria dizendo que a obesidade, se mórbida, é motivo de inaptidão. O ofício é assinado por Carmem Silvia Miziara, diretora do Departamento de Saúde da pasta
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